Atraso de fala, até quando esperar?

A fala é um dos principais processos evolutivos do homem, sem esse marco no nosso desenvolvimento com certeza estaríamos muito atrás no processo evolutivo ou até mesmo não estaríamos mais nesse mundo.

Durante os primeiros meses o bebê já é capaz de se comunicar através de choro, grunhidos e gritos que auxiliam os cuidadores a identificar necessidades dele, no segundo mês de vida já emite sorrisos e balbucia em resposta a atividades prazerosas, próximo aos 12 meses já inicia a fala mais coordenada com referências especificas, aos 2 anos já é capaz de formar frases com duas palavras. Devido esta ferramenta tão importante que é a comunicação do ser humano, qualquer atraso é motivo para ansiedade e questionamento dos pais, será que meu filho está atrasado?

Na consulta pediátrica destacamos sempre alguns pontos importantes que devem ser levados em consideração: 

– 1 ano: não imita sons ou palavras, prefere usar gestos para se comunicar.

– 2 anos: não fala, repete palavras sem sentido para comunicação, dificuldade de compreender o que a criança está falando.

Caso seu filho não atinja os marcos da fala de acordo com a média da população, deve ser avaliado por uma equipe multidisciplinar: Pediatra, Fonoaudiólogo e Otorrinolaringologista em alguns casos. Primeira medida é manter a calma, nem todo atraso de fala é causado por doença, vários fatores como ambientais e psicológicos podem causar este atraso e resultar no que chamamos de falante tardio.

Nunca devemos atrasar esta avaliação inicial para crianças, pois os primeiros três anos de vida são cruciais para o desenvolvimento da fala e linguagem.

Tamiflu e gripe.

É lamentável que mesmo após passarmos por uma pandemia de COVID-19, ainda enfrentemos desafios na prevenção e controle de outras doenças infecciosas, como a gripe causada pelo vírus Influenza.

A baixa cobertura vacinal para gripe é preocupante, pois a vacinação é uma das principais medidas de prevenção contra essa doença. A gripe pode ser grave, especialmente em grupos de risco, como crianças pequenas, idosos e pessoas com condições de saúde subjacentes. Além disso, a sobrecarga nos leitos de UTI pediátrica é uma questão importante, e a prevenção da gripe pode ajudar a reduzir a demanda por esses leitos e garantir que eles estejam disponíveis para pacientes com outras necessidades médicas graves.

É fundamental que os pais estejam atentos aos sintomas da gripe em seus filhos e busquem atendimento médico rapidamente em caso de suspeita da doença. O diagnóstico precoce pode permitir o tratamento adequado com antivirais, se indicado, e ajudar a evitar complicações mais graves.

Além disso, a vacinação é uma medida importante para proteger a saúde de todos, inclusive dos grupos de risco. As campanhas de vacinação devem ser amplamente divulgadas e incentivadas pela sociedade e pelas autoridades de saúde, para garantir que mais pessoas sejam imunizadas contra a gripe.

A prevenção é sempre a melhor abordagem para combater doenças infecciosas, e a vacinação é uma das formas mais eficazes de proteger a si mesmo e aos outros. Vacine seu filho e ajude a evitar o aumento de casos e internações por gripe no Brasil.

*Este artigo não tem conflito de interesse ou está associado a qualquer propaganda medicamentosa.

Fonte: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_tratamento_influenza_2017.pdf

Bronquiolite

A bronquiolite viral aguda é uma infecção comum nos seres humanos, ela é causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), sua circulação costuma ser sazonal ocorrendo pico nos meses de outono e inverno. Os sintomas da infecção são muito inespecíficos na população de baixo risco, muito semelhante a um resfriado comum, pacientes podem apresentar tosse, coriza, dor de cabeça, dor no corpo e febre. Apesar de ser um vírus inofensivo para grande maioria da população, a bronquiolite ainda é considerada um grande problema de saúde pública, responsável pela ocupação de leitos de UTI Pediátrica, internações prolongadas e óbitos principalmente em crianças menores de 2 anos. Devido esse grande impacto na saúde pública, vários estudos são realizados no mundo, com grandes avanços nos últimos anos, hoje já estão disponíveis antivirais para prevenção de casos graves nos grupos de risco e vacinas para gestantes (aprovado pelo FDA nos EUA) . Os pacientes considerados grupo de risco: menores de 2 anos, prematuros, broncodisplasicos, cardiopatas e portadores de síndromes genéticas, devem receber atenção especial aos sintomas de gravidade como esforço respiratório, uso de musculatura dos ombros para respirar, pausas respiratórias, recusa alimentar, palidez e gemência. Caso seu filho apresente qualquer um desses sintomas é obrigatório uma avaliação pelo médico, de preferência em unidade de emergência. O tratamento basicamente é de suporte com lavagem nasal com soro fisiológico, antitérmico e observação, casos graves necessitam de oxigênio para suporte até recuperação da doença, que costuma ocorrer entre 7 a 14 dias.ChatGPT

A bronquiolite viral aguda é uma infecção comum causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR) que afeta principalmente crianças menores de 2 anos, prematuros, broncodisplásicos, cardiopatas e portadores de síndromes genéticas, sendo um problema significativo de saúde pública. A circulação do vírus geralmente ocorre nos meses de outono e inverno.

Os sintomas iniciais da bronquiolite são inespecíficos e podem ser semelhantes a um resfriado comum, incluindo tosse, coriza, dor de cabeça, dor no corpo e febre. No entanto, em pacientes de risco, a infecção pode levar a complicações graves, incluindo a necessidade de internações prolongadas em unidades de terapia intensiva pediátrica.

Existem antivirais disponíveis para prevenção de casos graves em grupos de risco, além de vacinas aprovadas para gestantes nos Estados Unidos. No entanto, o tratamento principal ainda é de suporte, envolvendo lavagem nasal com soro fisiológico, uso de antitérmicos e observação. Casos graves podem exigir suporte de oxigênio até a recuperação completa da doença, o que geralmente ocorre entre 7 a 14 dias.

É essencial que os cuidadores estejam atentos aos sinais de gravidade, como esforço respiratório, uso de musculatura dos ombros para respirar, pausas respiratórias, recusa alimentar, palidez e gemência. Caso a criança apresente qualquer um desses sintomas, é fundamental buscar avaliação médica, preferencialmente em uma unidade de emergência.

A prevenção é sempre importante, especialmente em grupos de risco. Medidas de higiene, como lavagem frequente das mãos e evitar contato com pessoas doentes, podem ajudar a reduzir o risco de infecção pelo vírus sincicial respiratório.

Estresse tóxico na infância.

O estresse tóxico na infância é um tema importante, porém ainda não muito debatido entre as famílias. Ele se refere a estímulos estressantes elevados e contínuos que podem levar a danos irreversíveis no neurodesenvolvimento de uma criança.

Existem dois tipos de estresse que devemos considerar: o estresse positivo, que ocorre em períodos curtos e é apropriado para o estágio de maturidade psicológica da criança (por exemplo, vacinação, dificuldades escolares, atividades esportivas); e o estresse negativo, que ocorre por períodos prolongados e de forte intensidade (por exemplo, abuso infantil, negligência, excesso de atividades extracurriculares, agressão, famílias desestruturadas).

Independentemente do tipo de estresse, nosso cérebro reage da mesma maneira, liberando o hormônio do estresse (Cortisol) e ativando o sistema adrenérgico (liberação de adrenalina) para preparar o corpo para aumentar a vigilância e responder rapidamente ao estímulo, seja para lutar ou fugir – são mecanismos de sobrevivência. No entanto, quando o estresse é contínuo e de alta intensidade, a ação do cortisol pode alterar a arquitetura cerebral, reduzindo o crescimento cerebral e a quantidade de conexões através das sinapses.

Essa alteração na arquitetura cerebral pode levar a diversas doenças, como esquizofrenia, depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno do espectro autista, hipertensão, doenças autoimunes e AVC na idade adulta.

Para prevenir ou atenuar o estresse tóxico na infância, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda algumas medidas:

  1. Cuidados no pré-natal, evitando estresses contínuos e prolongados para a mãe.
  2. Rastreamento de crianças vítimas de maus-tratos, incluindo o abuso sexual, especialmente nos serviços de atendimento primário de saúde.
  3. Limitação do uso de telas e fiscalização de conteúdo visualizado pelos jovens.
  4. Estabelecimento de hábitos saudáveis de sono.
  5. Estímulo à leitura.
  6. Incentivo ao brincar.
  7. Prática de esportes apropriados para a idade.
  8. Expressão de afeto, abraços, beijos e conversas com os filhos.

É importante que os pais se dediquem a estar presentes e interagir com seus filhos, desligando o celular e oferecendo momentos de contato visual e afetivo, pois essas são ações que podem ajudar a reduzir o estresse tóxico e promover um desenvolvimento saudável na infância.

Surto de gripe H3N2

É verdade que a gripe tem circulação sazonal no outono e inverno, e isso nos permite programar o processo de imunização da população brasileira, reduzindo assim o número de casos graves durante essa época do ano.

O processo de imunização ocorre selecionando as cepas (“tipos”) de influenza A e B que estão circulando na América do Norte e Europa durante o período de outono e inverno. Essas cepas são as prováveis circulantes em nosso país na mesma estação do ano subsequente. A campanha de vacinação ocorre anualmente de março a agosto, para que quando o vírus comece a circular por aqui, já estejamos protegidos.

No entanto, neste ano está ocorrendo uma situação atípica, onde o vírus Influenza A H3N2, que estava previsto para circular no outono e inverno de 2022, já está circulando em nosso país. Isso aconteceu em uma população com baixa cobertura vacinal, que está reduzindo as medidas restritivas de isolamento social.

Mesmo que este vírus não esteja incluído nas vacinas disponíveis no Brasil, o Ministério da Saúde ainda recomenda a vacinação da população de risco não vacinada. O objetivo dessa recomendação é que, mesmo que os anticorpos não atuem de maneira eficaz contra o vírus, o estímulo da nossa imunidade celular possa reduzir a incidência de casos mais graves, assim como está ocorrendo com a variante Ômicron do Coronavírus.

Portanto, é importante retomar as medidas de isolamento social e higiene, além de realizar a vacinação dos grupos prioritários que ainda não se vacinaram.

*Grupo de risco: Crianças entre 6 meses e 5 anos, cardiopatas, pneumopatas, pacientes imunossuprimidos, idosos acima de 60 anos.

Dr. Túlio Alonso João – Pediatra/RQE: 85725.

Alergia a antibióticos na infância.

A alergia a antibióticos é um relato comum em consultórios e atendimentos no pronto-socorro. No entanto, será que a alergia a antibióticos é tão frequente na faixa etária pediátrica?

Estima-se que cerca de 5 a 10% da população pediátrica apresente sintomas compatíveis com alergia após a ingestão de antibióticos, sendo a Amoxicilina (um dos antibióticos mais prescritos na faixa etária pediátrica) o mais comumente envolvido. No entanto, apenas 1% desses casos têm a alergia confirmada após testes diagnósticos, como o Teste de provocação oral, o teste de punção cutânea (Prick test) e o teste intradérmico (Patch Test).

Esse alto número de crianças rotuladas erroneamente com alergia a antibióticos tem se tornado um problema de saúde, pois um falso diagnóstico ou um diagnóstico não confirmado de alergia a um antibiótico geralmente leva ao uso de um antibiótico com maior potência, mais caro e, em alguns casos, com administração venosa ou intramuscular. Isso pode resultar em aumento da resistência bacteriana, disbiose intestinal, internações hospitalares prolongadas e maior custo de saúde para o sistema público ou para a própria família.

É importante lembrar que a causa mais comum de rash (manchas no corpo) nos primeiros 5 anos de vida é a infecção causada por vírus. Muitas vezes, as manchas já iriam aparecer no corpo da criança e coincidem com a ingestão de um antibiótico erroneamente prescrito. Diante desses fatos, caso seu filho apresente sintomas após o uso de uma medicação, converse com seu pediatra e discuta a possibilidade de uma confirmação através de exames complementares.

Dr. Túlio Alonso João – Pediatra, Especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria – RQE: 85275.

Meningite B, preciso mesmo vacinar?

Diante do alto custo das vacinas ofertadas pela rede particular, muitas famílias se perguntam: qual devo priorizar?

Primeiro é importante lembrar que o Brasil através do SUS tem um dos programas nacionais de imunização mais completos do mundo, sendo assim, já temos uma boa cobertura vacinal.
Dentre todas as vacinas particulares ofertadas para complementar o calendário vacinal do SUS, eu recomendo sempre como prioridade a vacina da Meningite B.

A meningite bacteriana, é uma doença que acomete mais comumente crianças menores de 10 anos, podendo deixar sequelas graves e causando a morte em grande parte dos casos.

A vacinação para Meningite C foi implementada no ano de 2010 no SUS, ocorrendo uma grande queda no número de casos por esse subtipo.

Infelizmente como algumas vacinas ainda não estão inseridas no Programa Nacional de Imunização esses subtipos acabam prevalecendo e circulando mais em nosso meio, ocorrendo um processo de transição epidemiológica, como vem ocorrendo com a Meningite B no Brasil, que atualmente já é a segunda maior causadora de meningite bacteriana

Fonte de dados: https://datasus.saude.gov.br/

Dr. Túlio Alonso João – Pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria /RQE: 85275.

Laringite

A laringite é uma doença viral aguda, causada principalmente pelo Parainfluenza vírus, acomete mais comumente crianças de 6 meses a 5 anos de idade.

Os sintomas iniciais não diferem da maioria das infecções causadas por outros vírus, início de febre 12 a 24 horas, nariz escorrendo, tosse.  O grande diferencial é início de rouquidão secundário a inflamação da laringe e cordas vocais, progredindo para tosse de rouca que muitos familiares referem como de “cachorro”.

Por se tratar uma infecção viral e ter uma evolução benigna na grande maioria dos casos o tratamento é de suporte para febre, lavagem nasal e inalação com soro fisiológico, alguns pacientes com sintomas mais exuberantes como respiração cansada, chiado durante a inspiração necessitam de corticoides por curto prazo.

Devemos atentar para os seguintes sinais de alarme:  Esforço respiratório, chiado ou estridor inspiratório em repouso, caso esses estejam presentes é prudente uma avaliação médica com urgência.

Dr. Túlio Alonso João – Pediatra – RQE: 85275.

Vacina para COVID em crianças.

Hoje o governo de São Paulo anunciou o início da vacinação em crianças maiores de 12 anos, está programado a aplicação das primeiras doses já nesta quarta-feira (18/08/2021).

 Isso significa melhor proteção para as crianças, melhor proteção para a população de risco, como idosos e imunossuprimidos e redução do risco de novas variantes da COVID.

A vacina da Pfizer é a única aprovada até o momento no Brasil para uso em crianças. Devem ser aplicadas ao menos duas doses com intervalo de 90 dias entre elas.

O Ministério da Saúde avalia reduzir o intervalo entre as doses de 90 dias para 21 dias, isto depende da disponibilidade das vacinas em território Nacional.

Fique atento ao calendário vacinal no Estado de São Paulo:

  • Dias 18 a 29 de agosto: jovens de 12 a 17 anos com comorbidades;
  • 30 de agosto a 5 de setembro: jovens com idade entre 15 e 17 anos;
  • 6 a 12 de setembro: jovens com idade entre 12 e 14 anos.

Fonte: https://www.vacinaja.sp.gov.br/

Baixa estatura.

A baixa estatura na infância é uma preocupação recorrente nos consultórios médicos, em grande parte devido ao ideal de alta estatura como referência de beleza, influenciado pelo processo de colonização europeia.

Cabe a nós, Pediatras, distinguir se realmente há uma causa patológica para a baixa estatura ou se ela está dentro do alvo genético familiar.

O alvo genético é um cálculo simples que nos auxilia a prever a estatura final da criança.

Quando nos deparamos com uma criança que mantém uma velocidade adequada de crescimento para a idade e está dentro do alvo genético familiar, nenhum exame é necessário, pois isso é compatível com baixa estatura familiar, que corresponde a 90% dos casos de baixa estatura.

É comum ocorrer frustração em algumas famílias ao ouvir que seu filho provavelmente terá uma baixa estatura. Muitos perguntam se não existe nenhum tratamento para melhorar a estatura final ou se realmente não é necessário solicitar mais exames.

A investigação com exames laboratoriais e de imagem deve ser reservada para pacientes que apresentam redução na velocidade de crescimento e estão muito abaixo de seu alvo genético.

É importante destacar que o uso de hormônio de crescimento não está indicado em casos de baixa estatura familiar, embora infelizmente isso não seja observado na prática.