A síndrome do pânico na criança é um transtorno psicossomático caracterizado por crises agudas de ansiedade. Durante muito tempo, foi subestimada por profissionais da saúde, sendo erroneamente chamada de “crise de histeria” ou “piti”. Hoje, sabemos que se trata de uma condição real e séria, que requer atenção e tratamento adequado.
Embora o transtorno de pânico seja mais comum na adolescência e na vida adulta, tem se tornado cada vez mais frequente entre crianças, devido a fatores como:
privação de sono,
uso excessivo de telas,
estrutura familiar instável,
baixo nível de atividade física,
exposição constante a informações negativas.
Os sintomas costumam assustar os familiares, pois o corpo reage como se estivesse em perigo iminente. A liberação de adrenalina durante a crise provoca manifestações físicas intensas, como:
Falta de ar
Pressão alta
Coração acelerado
Mãos e pés frios
Sensação de morte iminente
Dores pelo corpo
Náusea e vômitos
O diagnóstico geralmente é clínico, não sendo necessário realizar exames complementares, a menos que exista dúvida sobre uma doença física associada.
Mesmo que a criança já tenha histórico de episódios anteriores, é essencial que a família valorize os sintomas e busque avaliação médica imediata. Após descartar causas físicas, o médico poderá indicar terapia medicamentosa ou outras abordagens terapêuticas.
Durante a crise, o ideal é reduzir estímulos, oferecer segurança e calma à criança e, se necessário, utilizar medicamentos ansiolíticos sob prescrição médica.
O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo pediatra, psicólogo e, em alguns casos, psiquiatra infantil.
As abordagens mais eficazes incluem:
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) para controle de pensamentos ansiosos;
Apoio familiar e escolar para oferecer segurança emocional;
Medicação (antidepressivos ou ansiolíticos) quando há recorrência frequente das crises.
A prevenção passa por hábitos saudáveis e estabilidade emocional. Algumas ações eficazes incluem:
Estimular conversas sobre sentimentos e medos;
Reduzir o tempo de tela e priorizar o sono adequado;
Incentivar atividades físicas e momentos de lazer;
Manter rotina equilibrada e ambiente familiar acolhedor;
Procurar ajuda profissional ao primeiro sinal de ansiedade persistente.
A síndrome do pânico na criança é um desafio crescente, mas com diagnóstico precoce, tratamento adequado e suporte familiar, é possível garantir qualidade de vida e bem-estar. A saúde mental infantil deve ser tratada com a mesma importância que a saúde física — cuidar da mente é cuidar do futuro.
Fontes:
https://amb.org.br/files/_BibliotecaAntiga/transtornos-de-ansiedade-diagnostico-e-tratamento.pdf
https://publications.aap.org/patiented/article/doi/10.1542/ppe_schmitt_289/184842/Panic-Attack
https://publications.aap.org/aapbooks/book/487/chapter/5802126/Psychiatry-Panic-Attacks
Dr. Túlio Alonso João – Pediatra, Especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria – RQE: 85275.
Atendimentos – Praia do Flamengo, 66, Sala 808, Bloco B, Flamengo, Rio de Janeiro.